Líder de Bolsonaro orienta contrários a posse de arma a se “defenderem com vassoura”

Vice-líder de Bolsonaro afirma que bandidos pensarão duas vezes ao saber que população também está armada

TARLEY CARVALHO

Da Redação

O deputado federal por Mato Grosso, José Medeiros (PODE), vice-líder do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara Federal, defendeu – mais uma vez – a liberdade da população brasileira em escolher se deseja ou não a posse de arma. Em entrevista ao programa “O Bom da Notícia”, da Rádio Vila Real, nesta manhã de segunda-feira (13), o deputado afirmou ainda que vetar o acesso a essa posse desrespeita o que já foi decidido pela sociedade, em alusão ao plebiscito de 2005, quando 63% da população votou favorável ao comércio de armas no país.

“A população tem o direito [de andar armada] e aquele que não quer se armar “ah, eu sou contrário!”, tudo bem! Você se defende com cabo de vassoura, do jeito que quiser, um não proíbe o outro”, elencou.

Durante sua entrevista, o vice-líder do presidente também defendeu que a posse não será liberada facilmente, sendo a pessoa obrigada a realizar o curso de tiro, passar no exame psicotécnico e, só então, adquirir uma arma, que já vem tendo aumentos exponenciais desde o decreto presidencial que flexibilizou sua posse em todo o território nacional.

Para ele, a mudança na política de concessão do porte de armas poderá ajudar o cidadão comum a se defender, argumentando que bandidos evitarão invadir lugares ao refletir que há a possibilidade de ali haver pessoas armadas. “Parece clichê, mas não. Se o cara é bandido e ele sabe que dentro do salão de cabeleireiro tem alguém ou várias pessoas armadas, ele vai pensar duas vezes antes de entrar por aquela porta, porque ele não sabe o que tem lá”, falou.

Medeiros ainda argumentou que não é recomendado deixar as armas nas mãos apenas da polícia e dos bandidos.

POSSE DE ARMA x REDUÇÃO DA CRIMINALIDADE

São vários os dados sobre o impacto que a posse de armas pode causar na sociedade. É comum, inclusive, as pessoas usarem outros países para exemplo quando o assunto é este, embora os dados possam se contrapor.

No Japão, por exemplo, existe uma política de zero tolerância para a posse de armas e é conhecido por ser um país com baixíssima taxa de homicídios. O Índice Global da Paz 2018, o classificou como o 9º país mais seguro do mundo.

Já em Portugal, onde a legislação sobre a política de armas é mais flexível que o Brasil, o índice de violência também é baixo. O país ocupa a 1ª colocação de países mais seguros, segundo o mesmo ranking.

Estudos, porém, apontam que a violência não é reflexo somente da política de armas, mas, principalmente, falta de investimento na Educação e na desigualdade social.

Um destes estudos é a tese de doutorado da economista Kalinca Léia Becker, pela USP (Universidade de São Paulo), que apontou que a cada investimento de 1% na educação reduz o índice da criminalidade em 0,01%.

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