Secretário revela que Saúde deve 25% do Orçamento e sugere que MT decrete calamidade econômica

Figueiredo aponta que débitos chegam a R$ 430 milhões com fornecedores e municípios

LARISSA MALHEIROS

“O Governo do Estado já reúne condições para decretar Estado de calamidade pública nas finanças”. Essa foi à avaliação do secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo após assumir a pasta no início da nova gestão do governador Mauro Mendes (DEM).

O secretário revela que não existe organização administrativa e financeira dentro da Secretaria e que só conseguiu ter conhecimento de todos fatos existentes depois de assumir o cargo. Ele lembra que não houve a contrapartida das informações por parte do ex-secretário Luiz Soraes. “Não há uma área sequer que se encontre algo organizado e em especial nos fatos e atos administrativos que envolvem a gestão da rede hospitalar do Estado de Mato Grosso sob tutela da Secretaria de Saúde. Nós entramos dia 2 na Secretaria e sequer fomos recepcionados pelo secretário anterior ou por qualquer um adjunto desta pasta”, disse em entrevista a Rádio Capital, na manhã desta sexta-feira (11), em Cuiabá.

Ele conta que foram constatados vários problemas de ordem financeira dentro da Saúde, entre eles, serviços pagos por processo indenizatório, sem sequer ter contrato emergencial de prestação de serviço. Ainda revela que as aquisições feitas, foram realizadas da mesma maneira, com pagamento indenizatório.

Por isso, a consequência para essa quitação dos restos a pagar de 2018, chega a R$ 430 milhões, o que representa 25% do orçamento previsto para 2019 na ordem de R$ 2 bilhões. “Hoje, sequer temos condições de honrar os compromissos de janeiro de 2019 quanto mais pagar débitos anteriores. Estamos todos agonizando. O Governo do Estado já reúne condições para decretar Estado de calamidade pública nas finanças”, sugeriu.

Gilberto também afirma que a equipe de Mendes teve imensa dificuldade para acessar informações consideradas relevantes para  conhecer a pasta. No entanto, ao assumir a gerência da Secretaria, pode averiguar que existe uma “contingência brutal” em todas as áreas da Saúde.

Como exemplo, ele citou o caos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Um serviço prestado por mais de 40 médicos sem nenhum vínculo com o Estado, com mais de cinco meses de atraso salarial. Isso é praticamente o exemplo de quase todos os serviços prestados na rede hospitalar do Estado de Mato Grosso, nos hospitais gerenciados pela Secretaria de saúde”, relata.

O secretário ainda pontua que, antes de tomar posse do cargo, sabia das condições da saúde pública, mas ficou surpreendido ao constatar que a situação era mais frustrante. “Quando recebemos o convite do Mauro Mendes para essa importante missão, que tem haver com seu principal compromisso de campanha, já imaginávamos da complexidade que é gerir uma pasta da tamanha envergadura e importância para toda população, mas não imaginávamos o caos estabelecido que se encontra dentro desta área no Estado, naquilo que concerne as responsabilidades do Governo do Estado nesta área”, disse espantado.

Por fim, ele considera que parte dos problemas na saúde foram arquitetados pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB), que deixou várias surpresas “desagradáveis” e que estão explodindo na atual gestão. “Existiu não sei se de forma deliberada umas minas, bombinhas armadas para explodirem no início do ano, mas é muito complicado”, revela.

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