Vereador acusa fiscais de salário de R$ 29 mil “sem fazer nada” em Cuiabá

Sindicato dos Agentes de Fiscalização de Cuiabá entrou com um pedido de investigação contra Abílio Júnior

DIEGO FREDERICI

Da Redação

O vereador de Cuiabá, Abílio Júnior (PSC), criticou o Sindicato dos Agentes de Fiscalização do Município de Cuiabá (Sindasfimc), e acusou os servidores da categoria de ganharem até R$ 29 mil “sem fazer nada”. A crítica foi feita na última terça-feira (14) durante entrevista ao programa Resumo do Dia (TV Brasil Oeste).

O vereador comentava a abertura de uma investigação proposta pelo Sindasfimc, e que foi lida no Plenário da Câmara de Cuiabá na última terça-feira. O requerimento foi enviado para a Comissão de Ética da Casa. Os servidores municipais acusam Abílio Júnior de “manchar” a imagem da categoria durante uma “visita” do vereador à residência do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que segundo ele estaria realizando obras no local “sem alvará”.

No episódio, ocorrido no último dia 9 de maio, Abílio Júnior teria acusado os agentes de fiscalização de não cumprir com suas obrigações profissionais. Informações não confirmadas relatam que ele também teria tentado invadir a residência de Emanuel Pinheiro. O vereador, porém, rebate os argumentos, dizendo que a investigação proposta pelo Sindicato tem o objetivo de obter “vantagens” e “benefícios” para a categoria. A apuração pode ensejar um eventual pedido de cassação.

“Vai pedir cassação do meu mandato por causa de que? Por ir na Secretaria de Ordem Pública pedir para os fiscais trabalhar? Por andar na rua filmando a casa do prefeito como qualquer outro cidadão? O que eu percebo é um interesse político muito grande. O presidente [do Sindicato] dos fiscais, que não fez nada na Câmara, está brigando pelo seu interesse próprio. [Buscando] Reajuste salarial, vantagens e benefícios. Ganhando R$ 29 mil sem fazer nada”, disparou o vereador.

Abílio Júnior fez referência ao fato do presidente do Sindasfimc, Paulo Henrique de Figueiredo, ser suplente a vereador pelo PV e que estaria alinhado aos interesses do prefeito Emanuel Pinheiro na Câmara. Abílio, por sua vez, faz parte da oposição ao Chefe do Poder Executivo da Capital. “Espero que apure, claro! Apure! Pega essa cópia do [vídeo da câmera] de segurança lá das ruas. Deve ter câmera de segurança da casa do prefeito, câmera de segurança dos vizinhos. Peça câmera de segurança, mostre que eu tentei invadir já que é isso que eles estão falando. Mostre que coagi algum fiscal já que é isso que eles estão falando. Mostre que eles estão certos. Apura, mostrem dados, documentos, que o prefeito tem alvará na sua obra”, desafiou o vereador.

Na mesma reportagem, a equipe do Resumo do Dia também entrevistou o vereador Renivaldo Nascimento (PSDB). Ele, que teria proposto (e posteriormente “desistido”) um processo de cassação de Abílio Júnior, avaliou que seu colega estaria “passando dos limites”. Em sua análise a Casa Legislativa da Capital precisa “tomar providências”. “A Câmara Municipal de Cuiabá tem que impor limites. Tem que impor limites de atuação por parte dos agentes políticos. O vereador ele pode atuar, fiscalizar. Agora, ele está limitado à Lei, a sua competência de atuação. O vereador Abílio, infelizmente, tem ultrapassado esses limites.  A Câmara Municipal de Cuiabá tem que tomar as providências necessárias”, advertiu Renivaldo.

Abílio, por sua vez, espera que a investigação ocorra “sem interesses políticos”, nem um eventual “reajuste salarial” aos agentes de fiscalização da Capital como uma espécie de “moeda de troca” pela pressão contra o vereador da oposição. “Tem que apurar. Acho que tá certíssimo. Agora, sem interesse político. Sem interesse em reajuste salarial, sem interesse em ser base do prefeito e ganhar seus benefícios. Apure sem interesse. Eu tenho certeza que a Câmara vai apurar com dignidade”.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *